Parto prematuro – é possível prevenir?

Postada em 4 de outubro de 2018.

Mesmo com o avanço da tecnologia e da ciência, o parto prematuro ainda é um tema de grande preocupação para pais e médicos.

A prematuridade, ou seja, o nascimento que ocorre entre 20 e 37 semanas de gestação, persiste como a principal causa de morte entre as crianças abaixo dos 5 anos de idade, sendo que as que sobrevivem podem apresentar sequelas importantes com alto custo social e econômico.

ginecologista e obstetra

Dr. Antônio de Morais, ginecologista, obstetra e especialista em Oncologia Ginecológica, e Dra. Beatriz Patz de Morais, especialista em Medicina Fetal e Obstetrícia de Alto Risco

No Brasil, em 2012 o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) juntamente com o Ministério da Saúde divulgou uma taxa de parto prematuro de 11,7% em todo território nacional(1). A causa é tão relevante, que uma diversidade de cientistas em todo mundo vem juntando esforços a fim de pesquisar medidas que previnam tal desfecho.

Antes de se estabelecer medidas, devemos estar atentos aos fatores de risco para o parto prematuro, que devem ser investigados e pontuados pelo obstetra durante o pré-natal.  São eles:

 

  • Fatores de Risco Maternos:
    • História de parto pré-termo anterior (A PRINCIPAL!), principalmente quando aconteceu antes de 30 semanas;
    • Tabagismo e uso de drogas ilícitas;
    • Obesidade e desnutrição;
    • Baixo nível socioeconômico e falta de acesso a um pré-natal de qualidade;
    • Fatores genéticos como história familiar de prematuridade e anormalidades congênitas como malformações uterinas;
    • Procedimentos cirúrgicos no colo uterino, como conização.

 

  • Fatores de Risco na Gestação Atual:
    • Necessidade de reprodução assistida (fertilização in vitro);
    • Sangramento vaginal sem causa aparente após o primeiro trimestre;
    • Gestação gemelar;
    • Infecções sistêmicas (apendicite, infecção urinária), genitais e periodontais;
    • Comprimento Cervical.

 

Sim, a medida do colo do útero conta!

O comprimento cervical merece destaque devido à sua importância na predição do trabalho de parto prematuro.

parto prematuroEm estudo recente sobre custo-efetividade, demonstrou-se o benefício do rastreamento universal para prematuridade por meio da medida do colo via transvaginal entre 18 e 24 semanas(2).

A nossa opinião é a de que devemos, sim, pedir para todas as pacientes, juntamente com a ultrassonografia morfológica de segundo trimestre (20 a 24 semanas) e para aquelas com antecedentes e fatores de risco a partir das 16 semanas.

Mas e se, de fato, tivermos uma medida de colo que indique alto risco? O que pode ser feito?

Com o pré-natal bem feito e o bom acompanhamento de seu obstetra, é possível sim influenciar para alterar esse quadro positivamente! Podemos intervir com mudanças de hábitos e rotina e também com suplementos, dispositivos ou até mesmo procedimento cirúrgico.

Vamos tratar desses métodos em nosso próximo post aqui no blog! Nesse meio tempo, conscientize-se para a importância do pré-natal e cuide de sua rotina: boa alimentação associada a uma vida ativa e sem vícios prepara seu corpo para uma gestação tranquila e cheia de saúde!

 

 

  1. The Global Action Report in Preterm Birth. Geneva: WHO; 2012
  2. Conde-Agudelo A, Romero R. Vaginal progesterone to prevent preterm birth in pregnant women with sonographic short cervix: clinical and publica health implications. Am J Obstet Gynecol 2016 Feb