A medida do colo do útero e o alto risco na gestação

Postada em 11 de outubro de 2018.

Em nosso último post do blog, discutimos a possibilidade de prevenir um parto prematuro. E, dentre os fatores de risco, listamos a medida do colo do útero.

ginecologista e obstetra

Dr. Antônio de Morais, ginecologista, obstetra e especialista em Oncologia Ginecológica, e Dra. Beatriz Patz de Morais, especialista em Medicina Fetal e Obstetrícia de Alto Risco

O comprimento cervical é, sim, um indicador de prematuridade. Por isso, nossa opinião é a de que todas as pacientes devem ter a medida do colo do útero verificada. Geralmente, já solicitamos esse exame entre 20 e 24 semanas de gestação, com a ultrassonografia morfológica, feita na mesma época, para as gestantes com antecedentes ou que apresentam fatores de risco a partir das 16 semanas.

Mas, caso a medida do colo do útero indique, mesmo, o alto risco, o que podemos fazer? Muito! Podemos intervir com mudanças de hábitos e rotina, com suplementos, dispositivos ou até mesmo procedimento cirúrgico.

Confira:

 

  1. Modificação da atividade materna: mesmo não havendo fortes evidências do impacto, recomendamos às nossas pacientes que realizem repouso e abstinência sexual. Mas vale lembrar que cada mulher deve ser avaliada individualmente e de maneira humanizada, e a decisão sobre a realização ou não de tais medidas, discutida entre o obstetra e a gestante;medida do colo do útero
  2. Tratamento de infecções do trato genital inferior quando presentes clinicamente ou laboratorialmente. Não é necessária a profilaxia empírica com antibióticos sem sinais de doença presente, o que já foi comprovado por vários estudos;
  3. Suplementação com progesterona. Metanálises e estudos de revisão sistemática (os melhores em nível de evidência científica) demonstraram o efeito benéfico da progesterona na redução das taxas de prematuridade nas pacientes com parto prematuro anterior e/ou colo curto;
  4. Pessário cervical: dispositivo fabricado com silicone, feito em formato cilíndrico para se adaptar ao colo uterino e ao fundo vaginal. Cada vez mais, estudos surgem demonstrando o benefício do pessário na prevenção de parto prematuro, ainda que não haja indicação definitiva(1). Após ser inserido no fundo do saco vaginal, o pessário promove um reajuste do ângulo formado entre o maior eixo do colo e a pelve materna, levando a uma melhor distribuição do peso do saco gestacional e à redução da pressão sobre o orifício do colo uterino. Além disso, ele contribui para manter o orifício cervical fechado, o que dificulta a ascensão de germes para a cavidade amniótica.

 

medida do colo do útero

Pessário

 

  1. Cerclagem cervical: consiste de um procedimento cirúrgico no qual fecha-se o colo com um ponto de sutura. Muitas mulheres nos perguntam sobre sua eficácia em pacientes com alto risco de parto prematuro. Devemos salientar que existem duas patologias diferentes: uma é o colo curto, tema aqui tratado, e outra é a incompetência cervical (IIC), assunto que ficará para um próximo texto. A cerclagem é o procedimento de escolha na IIC e não no colo curto, ainda que existam casos individuais que necessitem do procedimento.

 

Novamente, fica comprovada a importância de um pré-natal bem feito; cada organismo é único, e é diante de suas necessidades e da forma como responde a estímulos e tratamentos que conseguiremos definir uma linha de conduta.

Não tome tudo como verdade absoluta ou ação definitiva. O importante é se preocupar em manter um acompanhamento responsável, com uma equipe dedicada, mas as decisões e escolhas serão feitas por seu médico, com você, no consultório.

 

  1. Arabun B, Akfirevic Z, Cervical pessaries for prevention of sponteneous preterm birth: past, presente and future. Ultrasound Obstet Gynecol 2013