Desmistificando a Incompetência Istmocervical (IIC)

Postada em 17 de outubro de 2018.

Insuficiência ou incompetência istmocervical (IIC) nada mais é do que a incapacidade do útero de “segurar” a gestação até o fim.

ginecologista e obstetra

Dr. Antônio de Morais, ginecologista, obstetra e especialista em Oncologia Ginecológica, e Dra. Beatriz Patz de Morais, especialista em Medicina Fetal e Obstetrícia de Alto Risco

Diferente do trabalho de parto prematuro, a perda gestacional na lIC é caracterizada por uma perda gestacional sem contrações, ou seja, na grande maioria das vezes, completamente indolor, com idades gestacionais extremas, menores que 26 semanas, quando a criança tem poucas chances de sobreviver.

A maioria dos casos de IIC não apresenta causa aparente. No entanto, existem alguns procedimentos cirúrgicos no colo uterino (“cauterização” ou conização)  bem como malformações congênitas do útero que podem predispor a essa patologia.

O diagnóstico da IIC é baseado na história obstétrica da paciente, a qual geralmente apresenta as características mencionadas anteriormente (abortamento tardio de repetição e/ou perdas repetidas indolores a partir do segundo trimestre).

 

Tratamento possível

IICA extrema importância da suspeita do diagnóstico é que tal patologia possui tratamento efetivo. A cerclagem, que consiste no fechamento cirúrgico (“amarração”) do colo uterino, é o tratamento que garante a chance do sucesso da gestação nestas pacientes.

Quando realizada entre 12 e 16 semanas, a cerclagem tem demonstrado taxas de sucesso gestacional de 78% a 87% e está indicada quando a paciente apresenta história obstétrica clássica de incompetência com uma ou mais perdas gestacionais de segundo trimestre. Ainda que este seja o período ideal (12 a 16 semanas) e com melhores taxas de sucesso, o procedimento pode ser realizado até 24 semanas.

Deve-se ressaltar que o encurtamento do colo uterino no segundo trimestre, o qual foi tema em nosso blog anteriormente, embora indique um aumento do risco para parto prematuro, não é suficiente para o diagnóstico de IIC.  Mesmo assim, em pacientes com antecedente duvidoso de IIC, vale a pena a realização de ultrassonografia transvaginal seriada entre 16 e 24 semanas, a qual pode ser determinante na decisão da realização (ou não) de cerclagem.

 

IIC x colo curto

Para resumir o assunto, IIC e colo curto são entidades patológicas diferentes! E dessa forma, existe um melhor tratamento para cada uma delas.

No entanto, infelizmente, elas apresentam muitas semelhanças que podem confundir na realização do diagnóstico definitivo. Dessa forma, o atendimento personalizado e individualizado sempre é o melhor na decisão do que é melhor para cada caso.

O que é o melhor para você nem sempre será o melhor para sua amiga. Pesquise e procure informação de qualidade.