Você não é menos mãe porque escolheu cesárea!

Postada em 18 de julho de 2019.

Hoje o parto normal está em alta! Mas é claro… É um movimento natural: o Brasil sofre uma epidemia de cesáreas há décadas, e a essa contraposição seria mesmo esperada.

ginecologista e obstetra
Dr. Antônio de Morais, ginecologista, obstetra e especialista em Oncologia Ginecológica, e Dra. Beatriz Patz de Morais, especialista em Medicina Fetal e Obstetrícia de Alto Risco

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que apenas 15% dos partos sejam cesáreas, e em nosso país esse percentual chega a 55,5% – ocupando o segundo lugar no mundo em número de cesarianas, perdendo apenas para a República Dominicana com 58,1%. Infelizmente, a maioria dessas cesáreas é realizada de maneira eletiva, sem fatores de risco que justifiquem a cirurgia, e, o pior, antes da gestante entrar em trabalho de parto.

A importância de ouvir a gestante

Sabemos que muitas mulheres que poderiam ter um parto normal, sem prejuízo à saúde dela ou do bebê ou sem grandes complicações, evitam o procedimento por sentirem medo.

Nosso papel, como médicos, é mostrar todos os benefícios e garantir que ela estará segura durante o parto normal – até porque ele pode se tornar uma cesárea a qualquer momento se houver qualquer risco para a mãe ou para o bebê. A cesariana é um tipo de cirurgia – não podemos negar -, mas está aí para aquelas que precisam e, finalmente, também para aquelas que a preferem.  

Antes de falarmos com a paciente sobre o tipo de parto, precisamos entender o contexto social e cultural que ela vive, além de sua trajetória. Cada mulher tem a sua história e bagagem familiar; logo, são “n” os motivos que incentivam a escolha do parto. Se uma irmã ou amiga, por exemplo, teve um parto sofrido e se arrependeu de escolher o normal, é natural que essa mulher ouça e seja influenciada. Cada pessoa é única, e suas crenças e personalidades são, da mesma forma, moldadas de forma única.

Assim, não cabe a nós, médicos e sociedade, julgarmos uma gestante que optou pela cesárea, mas também não podemos falar que “a mulher gosta de sofrer” só porque escolheu o parto normal. Se a parturiente é, por exemplo, extremamente sensível à dor e já teve históricos de dores difíceis, como pedras nos rins, ela dificilmente irá preferir o parto normal – e está tudo bem nessa escolha.

O que sempre vamos recomendar é: aguarde entrar em trabalho de parto, seja para uma cesárea ou parto normal.

cesárea

Escolher o tipo de parto não é simples, nós sabemos muito bem! Com essa decisão, há esperança, medos, desconfianças, expectativas, inseguranças e a responsabilidade sobre uma nova vida. Não é fácil lidar com todos esses sentimentos, sobretudo durante uma gestação.

Respeito é a base de tudo

Há, também, outro cenário: o de mulheres que se planejam para o parto normal, mas, infelizmente, não conseguem. Muitas se frustram, ficam decepcionadas e até mesmo se culpam. Uma equipe médica decente vai considerar, a todo o momento, as condições da mãe e do bebê. É importantíssimo que ambos tenham um desdobramento de parto saudável. Caso não dê, tudo bem: que bom que temos a cesárea para trazer o seu filho ao mundo sem grandes sofrimentos e complicações. E daí a importância de confiar nos profissionais que a cercam!

Em uma gestação saudável, escolhas podem ser feitas. Se informar com a equipe médica é essencial. A sua história, crenças e cultura devem ser levadas em conta? Com toda a certeza! As nossas experiências constroem o que somos e nos tornam capazes de fazer escolhas como essas.

Nunca, antes, a sociedade olhou, debateu e questionou tanto o papel e o posicionamento da mulher. Vamos usar isso em nosso favor também em um dos momentos mais importantes da nossa vida, quando vamos colocar um filho no mundo.  Você deve ser ouvida sempre – lembre-se disso!