Candidíase: o problema do desequilíbrio da flora vaginal

Postada em 4 de dezembro de 2019.

Possivelmente você irá se identificar com este post. Qual mulher nunca teve aquela secreção vaginal branco-amarelada, acompanhada de coceira? Coceira esta que varia desde um desconforto até algo não muito aceito socialmente, rsrs… Pois é, isto tem nome? Candidíase vulvovaginal, a qual frequentemente acomete as mulheres pelo menos alguma vez na vida e, devido à sua frequência, não temos nada de tabu aqui para conversar sobre ela.

ginecologista e obstetra
Dr. Antônio de Morais, ginecologista, obstetra e especialista em Oncologia Ginecológica, e Dra. Beatriz Patz de Morais, especialista em Medicina Fetal e Obstetrícia de Alto Risco

A candidíase vulvovaginal é um infecção causada por um fungo do gênero Candida: daí o nome da doença! Uma característica marcante das infecções de pele causada por fungos (aqui entra a mucosa vaginal, que é a pele que recobre o interior da vagina) é a coceira que ela ocasiona, o que marca esta condição.  Mas por que ela ocorre?

Vamos lá. O trato genital feminino é colonizado por uma flora microbiana diversa, com diferentes tipos de micro-organismos que habitam o canal vaginal com o intuito de proteger aquela região de outros agentes que possam agredi-la. Eles fazem isso produzindo uma secreção normal do local, mantendo uma fina camada de proteção, deixando em PH e temperatura adequados. A Candida pode ser considerada como um micro-organismo habitante naturalmente desta microbiota normal das vaginas das mulheres, pois é encontrada em mais de 50% das vaginas. Em determinadas situações, ocorre um desequilíbrio entre as populações destes micro-organismo, favorecendo uns em detrimento dos outros. São exemplos destas situações: mudanças de hábitos de higiene e dieta, uso de antibióticos para tratar outras doenças, aumento de temperatura local (pós-atividade física) e queda de imunidade. Pensando assim, a candidíase é um grande exemplo disso: há uma proliferação exacerbada da quantidade do fungo em detrimento das outras populações de micro-organismos. Como qualquer desequilíbrio de flora vaginal, ocorre a formação de um corrimento vaginal patológico, abundante, de coloração branco-amarelada, com partes sólidas (descrito com pedaços de papel molhado) e acompanhado de coceira intensa. Essa irritação pode provocar vermelhidão da região externa da vagina, com microfissuras e forte ardor ao urinar, o que pode confundir com infecção urinária.

Comum, doença afeta quase todas as mulheres

Como eu disse, a Candida é ocupante do nosso corpo. Ela é típica do trato gastrointestinal; porém, é frequentemente encontrada no trato genital de homens e mulheres devido à sua proximidade com o ânus. Ela também é habitante da vagina e pênis e seu simples achado nestes locais não é indicativo de doença.

Como é um habitante natural da genitália feminina, a candidíase não é uma Doença Sexualmente Transmissível (DST), e, portanto, não é preciso tratar o parceiro (salvo raras exceções). Após um quadro deste, é inútil ir atrás de parceiras sexuais anteriores, pois o desequilíbrio microbiano provavelmente está dentro de você.

candidíase

Vamos desestigmatizar a candidíase vulvovaginal. Quase todas as mulheres algum dia a terão: não temos motivo para ter vergonha! Assim, na presença de sintomas, procure ajuda profissional, pois é uma situação muito desconfortável! O tratamento é simples e rápido! Podem ser utilizados antimicrobianos via oral, pomadas/óvulos vaginais ou ambos combinados. O fungo gosta de calor e umidade, então utilizar calcinhas de algodão ou mesmo não utilizá-las é muito benéfico. Mas lembre-se: caso encontre algum fator desencadeante, este corrimento pode se tornar de repetição e, portanto, muito incômodo. Isto deve provocar mudanças de hábitos importantes, como estilo de dieta, tabagismo e higiene local.