Álcool na gravidez

Postada em 12 de dezembro de 2019.

O início de uma gestação é carregado de mudança de hábitos, mas ainda existe um desconforto ao conversar sobre álcool na gravidez.

Apesar de ser óbvio para muitas pessoas, o consumo de álcool na gravidez tornou-se uma preocupação por parte dos órgãos epidemiológicos de saúde. Isto devido a seu aumento entre a população brasileira e pela banalização do hábito. Todavia, saiba que este assunto é sério e vamos detalhar aqui. 

Motivo da preocupação

Todo este alarme gira ao redor de uma doença (não rara) chamada SÍNDROME ALCOÓLICA FETAL (SAF). Sim, para você ter uma ideia do tamanho do problema, existe uma síndrome específica em bebês que nascem de mães que consumiram álcool na gravidez

Classicamente, ela é caracterizada por malformações de face (lábio superior fino, filtro nasal liso, microcefalia), restrição de crescimento intraútero ou insuficiência de crescimento na infância e alterações de desenvolvimento neurológico (múltiplas: desde retardo mental a transtornos psiquiátricos). 

Ela pode vir completa das alterações acima descritas, com atraso no desenvolvimento neuropsicomotor da criança – naqueles casos extremos em que a gestante tinha o hábito de ingestão alcoólica desde o início da gestação – ou pode vir apenas com achados neurológicos menos intensos (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, por exemplo) em casos de consumo ocasional. É mais prevalente do que imaginamos: alguns estudos mostram até 3% de casos na população (isto é muito!).  E o maior problema: não tem cura – apenas controles de sintomas das suas sequelas por profissionais experientes.

Pontos-chaves

álcool na gravidez

O grande X da questão é que o desenvolvimento da síndrome independe da quantidade de álcool ingerida ao longo da gestação. Obviamente, sabemos que as pacientes abusivas da substância, desde o primeiro trimestre terão mais probabilidade de desenvolvimento da doença completa. Contudo, temos trabalhos científicos consistentes mostrando o aparecimento da SAF em gestantes que faziam apenas uso semanal de uma pequena taça de vinho ou mesmo uso ocasional da droga em pequenas quantidades, não importando se era cerveja ou algum destilado. 

Ninguém sabe qual paciente vai desenvolver a doença e qual não; assim, o fato é que nenhuma dose deve ser ingerida ao longo dos nove meses. O cérebro do feto vive em constante formação ao longo dos três trimestres de gestação. Como o álcool é neurotóxico, ele agredirá o Sistema Nervoso do feto em qualquer momento da gravidez, com graves repercussões futuras. Esta patologia também engloba espectros menos intensos. O problema é que é pouco notificado, devido à banalização do consumo de álcool. Estudos verificaram retrospectivamente que mães de crianças portadoras de Transtornos de Déficit de Atenção e Hiperatividade, Transtornos de Comportamento e Depressão fizeram uso de álcool na gravidez, fechando o diagnóstico da patologia.

A SAF é a principal causa identificável e prevenível de retardo mental, déficits do neurodesenvolvimento e defeitos congênitos. Pesquisa em 2012 no Estado de São Paulo verificou a prevalência de consumo de álcool na gravidez em cerca de 7,7% dos casos, o que é alarmante. A mensagem final aqui é tolerância ZERO ao consumo de álcool na gravidez. Se você está gestante, diga NÃO!