Violência obstétrica atinge 1 em cada 4 brasileiras

Postada em 13 de agosto de 2020.

A violência obstétrica não é novidade: há anos existe esse modo triste, doloroso e, infelizmente, inesquecível de parir. “Inesquecível” porque a violência obstétrica deixa marcas visíveis e invisíveis que traumatizam mulheres mundo afora. 

De acordo com a Assessoria Técnica da Saúde da Mulher, do Ministério da Saúde (MS), violência obstétrica é aquela violência que acontece no momento da gestação, parto, nascimento e/ou pós-parto – inclusive no atendimento ao abortamento. 

A violência obstétrica pode ser física, psicológica, verbal, simbólica e/ou sexual; além de negligência, discriminação e/ou condutas excessivas, desnecessárias ou desaconselhadas, muitas vezes prejudiciais e sem embasamento em evidências científicas. Essas práticas submetem mulheres a normas e rotinas rígidas e, muitas vezes, desnecessárias, que não respeitam os seus corpos e os seus ritmos naturais e as impedem de exercer seu protagonismo.

São exemplos de violência obstétrica

– Lavagem intestinal e restrição de dieta;

– Ameaças, gritos, chacotas, piadas, etc;

– Omissão de informações, desconsideração dos padrões e valores culturais das gestantes e parturientes e divulgação pública de informações que possam insultar a mulher;

– Não permitir acompanhante que a gestante escolher;

– Não receber alívio da dor. 

De acordo com a pesquisa Nascer no Brasil, de 2014, coordenada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a violência obstétrica atinge uma em cada quatro mulheres brasileiras. 

O que diz o Ministério da Saúde? 

O Ministério da Saúde reconheceu o direito legítimo do uso do termo ‘’violência obstétrica’’ para retratar maus tratos, desrespeito e abusos no momento do parto. A pasta ainda instituiu, em 2011, a Rede Cegonha, que visa remodelar os atendimentos obstétricos – abolindo práticas violentas/vexatórias – e proporcionar planejamento reprodutivo e assistência à gestante durante o pré-natal, parto, e puerpério, com atenção integral à saúde da criança. 

O que fazer caso eu sofra violência obstétrica? 

Ainda, segundo a Assessoria Técnica da Saúde da Mulher, do MS, em casos de violência obstétrica, a mulher pode denunciar no próprio estabelecimento ou secretaria municipal/estadual/distrital; nos conselhos de classe (CRM quando por parte de profissional médico, COREN quando por enfermeiro ou técnico de enfermagem) e pelo 180 ou Disque Saúde – 136.

Planejamento de parto não é luxo!

O planejamento de parto é a melhor maneira de evitar a violência obstétrica – isso não é luxo, é direito da mulher tanto no Sistema Único de Saúde (SUS), quanto no particular. Neste momento, o principal aspecto é o desejo da gestante. 

O papel do obstetra durante o planejamento de parto é oferecer todas as orientações sobre as indicações e tipos de parto – o profissional ainda deve sanar dúvidas e preocupações, tudo com base em evidências científicas atuais, e não em indicações antigas ou populares.